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04.11.2008

O enfoque do eLearning 2.0


 

A esta altura já em todo o mundo se ouviu falar da Web 2.0, do que foi (ou iria ser) a revolução da rede. Pois bem, existe uma denominação paralela a esta, aplicada ao sector do eLearning: eLearning 2.0.

Não sou um especialista em Web 2.0 nem pretendo teorizar sobre este tema, uma vez que já existe demasiado debate sobre isto na Rede. Irei apenas exprimir o meu ponto de vista ao longo de uma série de artigos.

A Web 2.0, do meu ponto de vista, caracteriza-se por quatro aspectos:

  • O uso de uma série de tecnologias, tais como Ajax e serviços Web.
  • A interoperabilidade das aplicações mediante o uso de APIs.
  • Dar ao utilizador o poder de criar conteúdo, a qualquer utilizador.
  • Aproveitar os fluxos resultantes da interacção entre utilizadores. Similar às ligações numa rede em que todos os pontos estão interligados.

 

Estas mesmas ideias, aplicadas ao mundo do eLearning viriam a significar:

  • Uma aprendizagem centrada no utilizador, em oposição à aprendizagem centrada no professor ou num conteúdo.
  • Aprender mediante interacção com outros utilizadores e mediante a prática. Ao longo da vida temos muitos métodos para aprender. Aprendemos através do estudo, mas também aprendemos através da comunicação com outros, da conversação ou praticando.
  • A utilização de aplicações e tecnologias 2.0 (normalmente Open Source), tais como os blogues, as redes sociais, WIKIs.

A formação eLearning tradicional consiste numa plataforma LMS, na qual se colocam certos conteúdos formativos que se comunicam com ela mediante standards (SCORM, AICC) e onde um tutor-animador desempenhava o papel de professor motivando os alunos e resolvendo as suas dúvidas.


Este modelo vem a ser o mesmo modelo tradicional, no qual os principais actores eram alunos, professores, salas de aula e livros, substituindo-se a sala de aula pela LMS e o livro por um conteúdo Web.

 

Na verdade, um modelo que se utiliza há mais de 2000 anos, pois não? Tudo depende do que formos aprender. Vejamos uns exemplos:

Imaginemos que um aluno quer aprender a instalar o sistema de autoclismo da sua casa de banho. Neste caso, seguramente que um manual de instruções ilustrado e uns simples (ou não tão simples) passos serão suficientes para que o aluno atinja o seu objectivo.

Imaginemos agora que o aluno queria aprender como construir a sua casa, cimentar, construir as paredes, montar o sistema de aquecimento, rebocar, etc. Seria muito complicado consegui-lo com um manual ilustrado, assistindo a aulas onde um professor lhe explica como se faz o cimento, como se colocam os ladrilhos, etc. Teria que aprender através da prática, adquirindo um conhecimento após outro, fazendo consultas a pedreiros, carpinteiros, falando com amigos “habilidosos”…

Está bem, sei que montar um autoclismo e construir uma casa não é o mesmo, mas na sociedade da informação em que vivemos, a aprendizagem deveria ser uma constante ao longo de toda a nossa vida. O nosso objectivo é mais o de construir uma casa do que reparar um autoclismo.

Se, por exemplo, o nosso aluno tem por objectivo aprender sobre a história da Roma clássica, pode assistir a uma aula, na qual um professor lhe explique tudo o que sabe sobre Roma, apoiando-se num livro de texto, mas não conseguirá saber mais do que o que o seu professor e o seu livro sabem.

Seguramente que a sua aprendizagem seria mais completa se, além de ler esses livros, conversasse com outras pessoas interessadas na história de Roma, se passeasse por Pompeia, visitasse uma exposição ou visualizasse uma reprodução em 3D de Roma.

José Manuel Martín, Responsável de Suporte ao Negócio Avanzo